Sonia Hirsch: “Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará; se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá.”

Aparece depois das festas de fim de ano como um ligeiro mal-estar, uma dorzinha de cabeça, um resfriado. A maioria vai dizer algo tipo “Acho que estou pegando uma gripe”. Já os mais informados poderão olhar para trás, pensar nos excessos das últimas semanas e entender logo: são os primeiros sinais de uma intoxicação. Que, se for bem resolvida, não vai passar disso. E se não for, pode virar qualquer coisa – até uma bela gripe, daquelas que deixam a gente de cama.

Esta é uma chave para entender o funcionamento do corpo e evitar doenças: tudo o que é excessivo produz toxinas que podem e devem sair – via intestinos, bexiga, pulmões,  mucosas respiratórias, pele.

Uma intoxicação pode ser escandalosa, quando vem de comida estragada que vai logo produzindo vômitos e diarreia. Mas pode ser discreta. Lenta e gradual. Exatamente como a que a gente arranja no final do ano, se não prestar atenção. Como diz minha amiga Susana Ayres, fisioterapeuta e acupunturista de Brasília, a soma de fatores altera muito o produto.

“O que a gente mais consome no Natal e no réveillon são alimentos energeticamente quentes, preparados no forno, inadequadíssimos para o verão – carnes assadas, bolos, tortas, todos deliciosos e irresistíveis. Acompanhados por maioneses, castanhas e frituras, que acrescentam umas gordurinhas fatais. Mais os docinhos que não admitem recusa. Mais vinho, cerveja, refrigerante e espumante na hora do brinde. Soma-se a isso o fato de tudo ter sido preparado muito antes, esperado fora da geladeira por horas, o que permite a proliferação de bichinhos. E por fim a questão de estarmos comendo muito tarde, num horário em que o corpo geralmente não processa bem os alimentos.”

Bom, mas e daí? Então não se festeja? Claro que sim, ora. Mas já sabendo que para todo veneno há um antídoto.

Susana diz que podemos pensar em três níveis de intoxicação: leve, moderado e forte. O mais leve dá sintomas como irritabilidade, sonolência, alguma coisinha na pele, gases intestinais, prisão de ventre ou diarreia, gripes e resfriados, distúrbios leves de menstruação. “Nesta situação bastam uns ajustes na dieta alimentar, eliminando por alguns dias os laticínios, produtos animais e açúcar e aumentando o consumo de vegetais, frutas, sucos, água e chás como banchá, chá verde, capim- -limão, erva-doce, camomila e hortelã”, diz ela.

Uma intoxicação mais consistente já produz sintomas que se repetem, como gastrite, enxaqueca, labirintite, tontura e enjoo, constipação intestinal acentuada, parasitose, anemia, colesterol alto, sinusite, alergias de pele ou respiratórias. Também se enquadram nessa fase dores articulares sem causa definida, tendinites, distúrbios menstruais, hormonais e tensão pré-menstrual. Aí, Susana costuma orientar para uma dieta de desintoxicação mais longa, de no mínimo um mês, para restabelecer as defesas do organismo. E, se houver parasitose, poder tratá-la.

A intoxicação grave já é a doença propriamente dita. Xô, doença!

Um banho desintoxicante, tomado uma vez por semana, ajuda a eliminar os males enquanto se depura o sangue com as comidinhas santas. É de banheira e se faz assim: na água bem quente, dissolva meia xícara de bicarbonato de sódio, ou sal de fruta, ou sal marinho. Fique de molho por 15 minutos e depois esfregue o corpo inteiro com uma bucha. A água pode até ficar turva de tanta toxina que sai.

“Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará; se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá.” 

do livro "Amiga Cozinha"

Source: https://soniahirsch.com.br/2016/12/06/detox/


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